Quando as pessoas pensam em decorar um hotel boutique, geralmente começam pelos móveis.
Cores de tinta.
Começamos em outro lugar.
O prédio e a vizinhança.
Durante minha entrevista com Sarah Riley, uma das primeiras coisas que abordamos foi o prédio.
Qual a melhor forma de expressar a beleza deste edifício que temos diante de nós?
Reparei na altura do teto em cada cômodo e na arquitetura espanhola.
A recuperação pós-COVID-19 foi difícil para todos nós. Imediatamente, pensei em cores e artistas.
Ao criarmos a CasaJOMO, sabíamos que não queríamos que os hóspedes simplesmente ficassem no Rio.
Queríamos que eles vivenciassem o Rio.
Isso significava trazer a própria vizinhança para dentro da propriedade.
Santa Teresa é há muito tempo uma das comunidades mais criativas do Rio de Janeiro.
Artistas.
Músicos.
Designers.
Artesãos.
Pessoas criativas moldaram o caráter deste bairro por gerações.
Seria estranho criar um hotel boutique aqui sem incorporar essa criatividade.
Então começamos a trabalhar com artistas locais.
Não porque todo hotel boutique precise de obras de arte.
Mas porque todo hotel boutique deve refletir o lugar que o abriga.
A obra de arte tornou-se muito mais do que mera decoração.
Isso se transformou em conversa.
Os convidados paravam em frente a uma pintura.
Pergunte quem o criou.
Gostaria de conhecer a história do artista.
Às vezes, essa simples pergunta se tornava o início de uma conversa muito mais ampla sobre a cultura brasileira, Santa Teresa e a comunidade ao nosso redor.
Era exatamente isso que esperávamos que acontecesse.
A hospitalidade não se resume simplesmente a projetar espaços bonitos.
Trata-se de criar oportunidades para conexões significativas.
Durante nossa entrevista, Sarah Riley observou que os hóspedes desejam cada vez mais experiências locais autênticas, em vez de simplesmente mais um quarto de hotel.
Acho que os artistas locais ajudam a criar essa autenticidade.
A obra de arte lembra aos hóspedes que eles não estão hospedados em uma rede hoteleira internacional que poderia existir em qualquer lugar do mundo.
Eles estão em Santa Teresa.
Eles estão cercados pela criatividade local.
Eles estão participando de uma comunidade viva.
Como anfitriões, é fácil pensar que nossa responsabilidade termina na porta da frente.
Cheguei à conclusão de que vai muito além disso.
Cada decisão que tomamos fortalece ou prejudica nossa comunidade local.
Ao dar destaque a artistas locais, não estávamos simplesmente aprimorando nossos interiores.
Estávamos ajudando os hóspedes a descobrir o bairro através dos olhos das pessoas que o criam no dia a dia.
Olhando para trás, acho que os visitantes não se lembram tanto das pinturas individuais em si, mas sim da sensação que elas criaram.
A sensação de que estavam em um lugar genuíno.
Em algum lugar conectado.
Em algum lugar com uma história.
Esse é um dos maiores presentes que os artistas locais deram à CasaJOMO.
Eles não se limitaram a decorar nossas paredes. Eles ajudaram a contar a história do lugar onde nossos hóspedes vieram se hospedar.