05 Mar
05Mar

As pessoas costumam me perguntar como foi a mudança para o Brasil.

A maioria espera que eu fale sobre aprender português.

Ou se adaptar a uma nova cultura.

Ou então, ter que lidar com vistos, sistemas bancários e burocracia.

Essas coisas certamente importavam.

Mas essas não foram as lições mais importantes.

Mudar-me para o Brasil me ensinou algo muito mais profundo.

Isso me ensinou o quão pouca certeza realmente precisamos antes de dar o próximo passo.

Quando cheguei, quase tudo me era desconhecido.

Eu não conhecia o idioma.

Eu não conhecia os sistemas.

Eu não tinha uma rede de contatos estabelecida.

Até mesmo as tarefas mais simples pareciam complicadas.

Abrir uma conta bancária.

Adquirir um telefone celular.

Entendendo contratos.

Encontrar profissionais confiáveis.

Construindo um negócio.

Houve momentos em que cada dia parecia como resolver um novo quebra-cabeça.

Mas algo surpreendente aconteceu.

Cada pequeno desafio fazia com que o próximo parecesse menos intimidante.

A confiança não surgiu antes de eu começar.

Isso aconteceu porque eu comecei.

Durante minha conversa com Sarah Riley, ela me perguntou onde eu encontrei a confiança para mudar minha família para outro país e construir um negócio de hotelaria do zero.

A verdade é que eu não acordei uma manhã me sentindo destemido.

A necessidade tornou-se minha maior professora.

Meus filhos precisavam de estabilidade.

Minha família precisava de uma renda.

Esperar até me sentir completamente preparada simplesmente não era uma opção.

Então continuei dando o próximo passo.

A engenharia já havia me ensinado outra lição que se tornou inestimável.

O princípio 80/20.

Em engenharia, esperar por 100% de certeza muitas vezes significa que nada será construído.

Atingir 80% geralmente é suficiente para avançar, aprender, ajustar e melhorar.

Essa mentalidade tornou-se essencial no Brasil.

Se eu tivesse esperado até entender tudo, a Casa JOMO nunca teria aberto.

Em vez disso, fui aprendendo conforme avançava.

Cada conversa me ensinou algo.

Cada hóspede me ensinou algo.

Cada erro se tornava parte do aprendizado.

Olhando para trás, o Brasil me deu muito mais do que um negócio na área da hotelaria.

Isso me lembrou que a adaptabilidade é uma habilidade.

A curiosidade é uma vantagem.

E a resiliência não é algo com que nascemos.

É algo que construímos através da experiência.

Hoje em dia, converso frequentemente com pessoas que sonham em morar no exterior.

Muitos passaram anos pesquisando países, vistos e bairros.

A pesquisa é valiosa.

Mas eventualmente chega um ponto em que mais informação não gera mais confiança.

A ação faz a diferença.

Mudar para outro país sempre envolverá incertezas.

Sempre haverá coisas que você não poderia ter previsto.

O objetivo não é eliminar a incerteza.

Trata-se de se tornar o tipo de pessoa que sabe que consegue lidar com isso.

O Brasil me ensinou isso.

E por essa lição, serei eternamente grato.

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